segunda-feira, 16 de abril de 2018

Brasileirão além da Série A


O Campeonato Brasileiro voltou, e em vários níveis diferentes. Além da Série A, também começaram as Séries B e C da competição nacional. E aproveitando a deixa, começa trazendo pílulas e boas histórias sobre as divisões de acesso. Vale lembrar que no próximo final de semana ainda há a Série D, abrindo a sua primeira rodada da fase de grupos.
Demorou uma rodada, uma mísera rodada, para que os dois primeiros treinadores perdessem seus empregos na Série B. Sandro Forner (Coritiba) vinha pressionado pela derrota na final do Campeonato Paranaense, assim como pelo rendimento abaixo do esperado. Não resistiu ao revés na visita ao Sampaio Corrêa e será substituído por Eduardo Baptista. Já o CRB também andava infeliz pelo vice estadual e não pensou duas vezes após a derrota para o Oeste: mandou embora Mazola Júnior. A aposta em seu lugar é Júnior Rocha, trazido do Santa Cruz, mas que se projetou graças ao trabalho à frente do Luverdense.
Na sexta-feira, o atacante Gustavo deu uma vitória agônica ao Fortaleza, justo no retorno dos tricolores à segundona. O atacante garantiu o triunfo por 2 a 1 sobre o Guarani nos acréscimos do segundo tempo, fazendo o Castelão explodir. E a maneira como marcou tem clara influência de seu atual treinador, Rogério Ceni, bateu falta com extrema categoria, lembrando até mesmo a postura corporal do ex-goleiro. Na saída de campo, o artilheiro admitiu que procurou o mestre nos treinamentos. “Pedi para que ele me deixasse treinar, ele foi me aperfeiçoando. Ensinou, deu dicas, disse como era melhor chutar. Fiquei muito feliz de fazer o gol”, afirmou.
O jogo com mais gols na rodada da Série B aconteceu em Goiânia. O Atlético Goianiense venceu o Criciúma por 3 a 2, de virada no Estádio Olímpico. E contou principalmente com o poder de definição de Tito. O camisa 9 é o artilheiro da segundona, único jogador a anotar dois gols. Com participações nas Séries C e D em seu currículo, ganha a grande oportunidade na carreira aos 29 anos, em um time bastante renovado dos rubro-negros.

Um dos principais candidatos ao acesso na Série B, o Figueirense estreou bem. Derrotou o Juventude por 2 a 1 no Orlando Scarpelli, somando os seus primeiros pontos. E após abrirem dois gols de vantagem, os catarinenses tiveram certas dificuldades para segurar a diferença. Contaram com o bom trabalho do goleiro Denis, responsável por intervenções importantes. Depois de tudo o que ocorreu no São Paulo, o arqueiro busca um novo rumo na carreira. A segundona pode ser uma oportunidade de redenção, após conquistar o Campeonato Catarinense. Se não é o atleta que alguns projetaram, pode ser útil em um nível competitivo menor.
Entre os jogadores trazidos para esta Série B, Dagoberto está entre os nomes mais conhecidos. Vinha atuando na NASL, liga secundária dos Estados Unidos, e foi contratado pelo Londrina. Contudo, poucos esperavam um início tão estrondoso do veterano. Ele entrou em campo no Estádio do Café aos 10 minutos do segundo tempo. Aos 11, logo em seu primeiro toque na bola, definiu a vitória por 1 a 0 sobre o Boa Esporte. E aos 28, precisou ser substituído, sentindo dores musculares. O atacante definiu o sábado como “um dos dias mais intensos da minha vida”.
Por conta dos incidentes na reta final do Brasileirão de 2017, a Ponte Preta terá que atuar com os portões fechados em seus primeiros seis jogos como mandante na Série B. A torcida da Macaca, entretanto, deu o seu jeitinho para empurrar o time na estreia contra o Paysandu. Transformou o morro atrás do Moisés Lucarelli, próximo a uma linha ferroviária, em arquibancada e apoiou o time dali mesmo. Além disso, outros preferiram se manifestar das janelas dos apartamentos nas proximidades do campo. A assistência remota, porém, não deu grande resultado. A Ponte acabou derrotada pelo Papão por 1 a 0, no único triunfo de um visitante na rodada.
Por falar em Paysandu, vale ficar de olho em Cassiano, autor do gol que definiu a vitória por 1 a 0 sobre a Ponte Preta. Contratado para suprir a venda de Bergson, o centroavante vai cumprindo o seu papel, e deve ter mais espaço após a saída de Walter ao CSA. Jogador do Brasil de Pelotas na Série B passada, o matador se dá bem no Papão e é o artilheiro do clube no ano, com 13 gols. Tem feito a diferença principalmente na campanha até a final da Copa Verde, na qual balançou as redes sete vezes.
O retorno do CSA à segunda divisão do Brasileiro, após 18 anos de ausência, não poderia ser mais marcante. A partida contra o Goiás começou com a troca de faixas entre as equipes, campeãs estaduais – em fim de jejum dos alagoanos que durava desde 2008. Quando a bola rolou, os azulinos comemoraram a vitória por 2 a 1, com gols de Niltinho e Michel Douglas. Além disso, a torcida pôde aplaudir o novo dono de seu ataque: Walter, trazido do Paysandu. O centroavante vai se integrar ao elenco nesta semana e já é esperado para o duelo contra o São Bento, na próxima sexta-feira. Será mais um nome tarimbado em um elenco cheio de figurinhas conhecidas, como o volante Edinho, um dos destaques em sua estreia contra os esmeraldinos.
A Série C começou com um clássico neste domingo. Náutico e Santa Cruz se enfrentaram na Arena Pernambuco, embora o público não tenha sido animador, com apenas 4,6 mil presentes. Ainda assim, quem se aventurou a ir ao estádio viu um jogo bem movimentado, com o empate por 1 a 1 prevalecendo. O Timbu abriu o placar no primeiro tempo. Após duas tentativas de seus companheiros barradas pelo travessão, Nestor Ortigoza aproveitou um desvio de Camacho para estufar as redes. Já na segunda etapa, o Santa deu a sua resposta, em tento de Jeremias ao arriscar de fora da área. No finalzinho, o goleiro alvirrubro Bruno evitou a virada coral com uma grande defesa.

A Série C conta com dois estreantes nesta temporada. Pela primeira vez, Juazeirense e Globo figuram na terceira divisão nacional. E se o início não foi tão bom aos baianos, derrotados pelo Confiança em casa, os potiguares comemoraram bastante. Tiveram um compromisso ao qual estão acostumados, encarando o ABC, e conquistaram a vitória contra os atuais campeões estaduais. Romarinho anotou o gol do clube de Ceará-Mirim no triunfo por 1 a 0.
Acha que é “privilégio” da Série A ver os árbitros cometendo lambanças enormes? Um exemplo disso vem do jogo entre Salgueiro e Botafogo da Paraíba. Durante o segundo tempo, a partir de uma sinalização de seu auxiliar, o árbitro Denis da Silva Ribeiro Serafim apontou um pênalti contra os paraibanos. No entanto, o lance gerou enorme revolta nos jogadores visitantes, que cercaram o assistente e começaram a questioná-lo. Após algum tempo de imbróglio, o juiz resolveu voltar atrás na marcação e só deu bola ao chão. Ao final, prevaleceu o empate por 0 a 0. Já em Ponta Grossa, outra enorme patacoada no jogo envolvendo Operário e Volta Redonda. Jean Carlo, do Operário, recebeu o segundo amarelo aos 40 do segundo tempo e o árbitro Marcos Mateus Pereira não o expulsou. O assistente e o quarto árbitro tentaram alertá-lo, embora na súmula ele tenha “arrumado” a falha anotando o primeiro cartão a outro atleta. Os paranaenses venceram o jogo por 1 a 0.
Ypiranga e Operário terão missões duplas nas próximas semanas. Afinal, a Série C não é a única empreitada de ambos, que continuam lutando nos estaduais. Os dois estão na segunda divisão e buscam o acesso. O Operário, que derrotou o Volta Redonda na primeira rodada, lidera seu grupo na segunda fase da segundona Paranaense e abre boa vantagem rumo ao acesso. Já o Ypiranga deve encarar dificuldades maiores. Começou a Série C perdendo para o Joinville, 1 a 0 para os catarinenses. E no Gaúcho, por mais que lidere sua chave na primeira fase, terá que encarar desgastantes mata-matas para confirmar o retorno à elite.



sábado, 14 de abril de 2018

Organização, discussão óbvia no futebol

A marcação por pressão, para recuperar a bola perto do outro gol e evitar que o adversário troque passes desde o goleiro, tem sido cada dia mais frequente, embora a maioria das equipes que usa essa estratégia, desde o início do jogo, atua em casa e precisa inverter o resultado.

Na primeira partida contra o Manchester City, o Liverpool, em casa, pressionou desde o começo e fez três gols. A Roma, após perder por 4 a 1, sufocou, em casa, o Barcelona, do primeiro ao último minuto, ganhou por 3 a 0 e está nas semifinais. O Cruzeiro acuou o Atlético-MG e fez dois gols, um no início do primeiro tempo e outro no início do segundo.

A marcação por pressão não deve ser exercida no desespero do fim de um jogo, no “vamos lá”, como era no passado. Ela precisa ser treinada. Isso não significa que é a única estratégia para inverter o resultado. A Juventus, mesmo fora de casa, ganhou por 3 a 1 do Real Madrid,
jogando em sua tática habitual, de alternar a marcação mais à frente com a mais atrás.
Uma das dificuldades da marcação por pressão é o cansaço, pois é quase impossível fazer isso durante os 90 minutos. A Roma fez.

Quando um time pressiona, sofre e não faz um gol no primeiro tempo, geralmente não tem força física para reagir no segundo.

Outra dificuldade, marcante nos times brasileiros e sul-americanos, é a incapacidade de formar equipes compactas. Contra o San Lorenzo, o Atlético-MG jogou com os zagueiros colados à grande área, o centroavante Ricardo Oliveira colado à outra área e um enorme espaço no meio-campo. A falta de aproximação dos jogadores diminui a recuperação da bola e a troca de passes, o que ocasiona um excesso de bolas longas, esticadas, que vão e voltam. Isso foi frequente no clássico entre palmeiras e Boca Juniors.

A marcação por pressão, segundo minhas pesquisas, começou na Copa de 1974, com a Holanda, que surpreendeu e encantou o mundo.

Durante décadas, muitos times tentaram fazer o mesmo, sem conseguir, com raras exceções, como o Milan, dirigido por Arrigo Sacchi, na década de 1980, e, principalmente, o Barcelona, com Guardiola, inspirado no técnico Cruyff, que bebeu na fonte de Rinus Michels, técnico da Holanda, em 1974.

Com o desenvolvimento da preparação física e tática, das estatísticas, dos estudos técnicos detalhados de todos os jogadores e equipes, vários grandes times conseguem alternar, com eficiência, a marcação por pressão e a mais recuada.

Tenho uma óbvia convicção de que os melhores times, os que ganham títulos, são, com algumas exceções, os que possuem os melhores jogadores. Podemos até contestar, ao dizer que os jogadores brilham somente quando atuam em equipes organizadas e que, com frequência, um time organizado, mesmo com jogadores inferiores, ganha de um desorganizado, com melhores jogadores.

Seriedade, vontade e união são qualidades tão básicas que nem deveriam ser discutidas.
Isso é óbvio. Vou além, times mais desorganizados e piores, de vez em quando, ganham dos mais organizados e melhores. O que não se pode é, por causa das exceções, valorizar mais o jogador obediente, mediano e os times que ganham sem nenhum brilho. Ter um bom conjunto e jogar com seriedade profissional, vontade e união são qualidades e atitudes tão básicas, essenciais, que nem deveriam ser discutidas.

Seria como um corpo sem alma, um país sem esperança, um grande clube sem um rival no estado.





quinta-feira, 12 de abril de 2018

Análise além dos estaduais


Independentemente das atuações das equipes e dos resultados dos estaduais, Palmeiras, Grêmio, Corinthians, Cruzeiro e Flamengo, não necessariamente nessa ordem, continuam sendo os melhores times e elencos do Brasil. Corinthians, Cruzeiro e Botafogo estavam em desvantagem, mas não foi surpresa conquistarem os títulos, já que a qualidade técnica nos confrontos era próxima.

Independentemente dos estaduais, Botafogo, Vasco, Fluminense e Internacional terão enormes dificuldades no Brasileiro, se não se reforçarem, embora sempre possa haver surpresas. Santos, São Paulo e Atlético-MG podem evoluir durante a competição e fazer ótimas campanhas.

Independentemente dos estaduais, o Corinthians mostrou, novamente, uma grande capacidade defensiva, ao executar muito bem a marcação com duas linhas de quatro, usada durante décadas na Europa, desprezada pelo futebol brasileiro até 2008, quando começou a ser feita no Corinthians, com Mano Menezes e Tite. A diretoria do Corinthians deveria agradecer a Carille e presenteá-lo com um bom atacante. Vários times têm bons jovens treinadores, mas só o Corinthians tem Carille.

Independentemente dos estaduais, o Palmeiras possui o melhor elenco do país, mas o time titular é inferior ao do Grêmio e está no nível de outras equipes. O Palmeiras tem dinheiro para contratar bons jogadores, como Lucas Lima, mas não tem para contratar um Philippe Coutinho ou um Willian, o que faria a diferença. O Palmeiras é forte candidato a todos os títulos nacionais e sul-americanos, mas, em todos eles, corre muitos riscos de não ganhar. Quando perde, com prepotência, coloca a culpa no árbitro —claramente, não foi pênalti para o Palmeiras contra o Corinthians—, no técnico ou na falta de vibração dos jogadores.

Independentemente dos estaduais, o Cruzeiro mostrou, contra o Atlético-MG, sua força individual e coletiva, reforçada com Dedé e Edílson. O passe milimétrico de Robinho e a tacada perfeita de Thiago Neves foram belíssimos. Thiago Neves está, no mínimo, no mesmo nível de outros meias brasileiros convocados por Tite. Por outro lado, mesmo com um jogador a mais, o Cruzeiro, no segundo tempo, não conseguiu trocar passes e ficar com a bola. Se o Atlético-MG estivesse com 11, poderia pressionar e criar chances de gol.

Independentemente dos estaduais, o Atlético-MG precisa de reforços. O jovem e bom técnico Thiago Larghi deveria explicar por que tirou, no meio do segundo tempo, Ricardo Oliveira, para colocar um atacante inexpressivo. A diretoria confirmou a manutenção do técnico como interino. Parece uma jogada comercial, pois o interino, geralmente, ganha menos que um jovem treinador efetivado.

Independentemente dos estaduais, o Grêmio é o melhor time brasileiro porque tem um ótimo técnico e, principalmente, por ter quatro jogadores cotados para o Mundial (Marcelo Grohe, Geromel, Arthur e Luan), embora não será surpresa se nenhum dos quatro for convocado. Tenho a óbvia convicção de que, com algumas exceções, os melhores times, os que ganham campeonatos, são os que possuem os melhores jogadores.

O futebol continua, com muita emoção, com partidas boas e ruins, com agressões, alegrias e tristezas.
Como, no futebol e na sociedade do espetáculo, existe a necessidade de se iludir e de construir heróis, profissionais competentes são transformados em gênios, mitos, consumidos e descartados. É a banalização dos heróis. Pior, muitos, até os medíocres, acreditam nisso.





terça-feira, 10 de abril de 2018

A Nova Linguagem Futebolística


Foto: Google
Com o desenvolvimento da ciência esportiva, ocorreram muitas mudanças na linguagem futebolística. Seria um modismo ou um modernismo? Escuto, milhares de vezes, palavras e expressões, como amplitude, futebol apoiado, jogar entre linhas, atacar a bola, atacar o espaço e tantas outras. A mais recente é ritmista, dita por Tite e agora bastante repetida. O técnico banalizou a palavra, ao citar todos os armadores que já convocou como ritmistas.

Ritmista é alguém, em qualquer atividade, que faz as coisas acontecerem com harmonia, sem sobressaltos, com variações e intervalos regulares e periódicos, como nos ciclos biológicos e na natureza. Sem ritmo, seria o caos.

Quando falam de armadores ritmistas, lembro-me de Gérson, Xavi, Kroos e outros. Apesar de Gérson ter ficado na história como o mestre dos passes longos, era quem ditava o ritmo. Raramente, errava um passe e tinha o controle da bola e do jogo. O ritmista quase não dribla. Passa. Os grandes ritmistas jogam como se estivessem vendo a partida dos camarotes, equipados com controle remoto, GPS e computador. O controle remoto pararia o lance para que eles vissem o posicionamento dos companheiros e dos adversários e, a partir daí, fizessem a escolha certa.

Entre os ritmistas atuais, o mais clássico é Kroos, do Real Madrid, o que não significa que seja o melhor meio-campista. De Bruyne, do Manchester City, é mais completo. Além de dar o ritmo, tem uma técnica mais abrangente. Iniesta, do Barcelona, é o artista, inventivo, que quebra o ritmo, no instante certo. Ele e Xavi se completavam. Outra grande dupla, por vídeos assistidos, foi Gérson e Rivellino na Copa de 1970, a união do organizador, do ritmista Gérson, com a técnica e a explosão individual de Rivellino.

Entre os ritmistas que atuam no Brasil, os que mais gosto de ver são o experiente Maicon e o jovem Arthur, ambos do Grêmio. Melhor que um é ter dois. Arthur é uma esperança de se tornar, pelas características, o substituto de Xavi, no Barcelona, quem sabe fazer dupla com Iniesta, embora o croata Rakitic seja também um bom ritmista.

Não se deve confundir o meio-campista ritmista com o volante que marca bem e que tem ótimo passe, como Sergio Busquets, do Barcelona, Casemiro, do Real Madrid e Fernandinho, do Manchester City. Nem com o meia ofensivo, que atua perto do gol. Falta à seleção brasileira um craque ritmista. Em compensação, nenhuma outra seleção tem tantos meias e atacantes hábeis, rápidos e dribladores, como Douglas Costa, Coutinho, Willian e, principalmente, Neymar.

Uma nova geração de meias e de atacantes velozes, habilidosos e dribladores vem por aí, com Vinícius Júnior, do Flamengo, Rodrigo, do Santos, e Paulinho, do Vasco. Se Vinícius Júnior quiser ser um craque, terá de, entre um belo gol e outro, nos intervalos de sua volúpia de talento, ser menos afoito, confuso, errar menos e jogar com mais ritmo.


domingo, 11 de dezembro de 2016

Em 2017, quem será ?

Existiu um tempo em que as manobras feitas pelas entidades que administram o futebol minimizavam o rebaixamento dos maiores clubes do Brasil. Tanto é que cansamos de ver fórmulas “mirabolantes” e nomes como Taça de Prata, Copa João Havelange, Módulos Verdes, Amarelos e afins só para evitar dizer que o time ‘A’ ou ‘B’ caiu de divisão. Pois é, de alguns anos para cá isso acabou. Tanto é que quase todos os maiores do País já andaram passeando pela Série B (segundona) do Campeonato Brasileiro.
Para se ter uma ideia, hoje, dos 20 clubes que disputavam a elite do futebol brasileiro neste ano, apenas 6, podiam se considerar ilesos do rebaixamento no atual modelo de Brasileirão: Flamengo, Santos, Cruzeiro, Chapecoense, São Paulo… e Internacional. Sendo que o São Paulo foi rebaixado no Estadual de 1990 e levou o título da temporada seguinte, por uma manobra da Federação Paulista. Uma vergonha na época ! Mas, de fato no Brasileirão (ainda) não caiu.
E o descenso nada mais é que a ”coroação” de uma péssima administração. O caso do Internacional atual rebaixado. Piada de mau gosto ! É o “GRANDE” rebaixado da vez… fazendo uma campanha pífia… envergonhando sua enorme e apaixonada torcida. Isso é herança de péssimos cartolas que passaram por lá, que agora estava nas mãos do não tão menos (péssimo), presidente Vitório ‘Piffero’.
Clube grande não cai ? É só não planejar, (e pagar) pra ver ! Se Botafogo, Vasco, Palmeiras, Grêmio, Corinthians, Atlético-MG… e outros ‘gigantes’ caíram, é questão de tempo para todo mundo rodar um dia.
Em 2016 foi o Inter, agora só restam 5 (ilesos)… aguardar quem será em 2017. Será que teremos “novidades” ? Aguardemos, pois!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Só o Tempo

Há um ‘Conto’ que “havia um povoado que muito do trabalho necessário era realizado por cavalos. Um já idoso senhor possuía o mais belo e forte cavalo do povoado. O cavalo, entretanto, certo dia fugiu.
Todos ficaram perplexos e, repletos de piedade, dirigiam-se ao idoso com palavras de pesar, ao que o idoso senhor respondia: “Por que falam assim? O cavalo se foi, mas como podemos dizer se isso é bom ou ruim? Deixemos que o tempo nos traga suas respostas”.
No dia seguinte, o cavalo retornou trazendo consigo outros cavalos. O povoado encheu-se de alegria e resolveu celebrar. “O idoso estava certo”, diziam. “A fuga do cavalo era o melhor que poderia ter acontecido!”
Mais um dia se passou e, numa cavalgada, um dos novos cavalos derrubou o filho do idoso, quebrando sua perna. “Idoso sábio”, todos pensaram. “Ele sabia que esses novos cavalos não trariam coisa boa ao povoado, e eis o resultado”. Mas o idoso se mantinha tranquilo. A perna quebrada de seu filho seria de fato motivo de lamentação? Somente o tempo traria suas respostas.Mas o idoso era o único que se mantinha sereno. “Chegaram aqui novos cavalos. Mas como poderemos afirmar se isso é motivo para comemorações? Deixemos que o tempo nos traga suas respostas”.
No dia seguinte, chefes do exército vieram ao povoado recrutar soldados. Como o filho do sábio idoso estava com a perna quebrada, foi poupado da guerra. O povo surpreendeu-se novamente. Mas o idoso mantinha sua postura. Sempre mantinha sua postura.”
A história, do idoso deste ‘conto’ e de cada um de nós, prossegue indefinidamente. A sabedoria de vida suprema daquele idoso, estava em saber que nada poderia saber sobre a vida. A sabedoria suprema estava em saber que a sabedoria está apenas no tempo – e o tempo sempre seguirá seu curso, contará suas histórias e trará suas respostas.
A heroica perna esticada do Goleiro Danilo no último minuto do jogo (histórico) da semifinal… O juiz apita o fim da partida… O modesto Chapecoense tem a maior glória de seus 43 anos de vida… Estava na final do torneio continental.
O tempo traz, contudo, suas respostas. O tempo traz suas respostas mesmo quando nós não sabemos qual era a pergunta.
Cai na Colômbia o avião que transportava os jogadores e a comissão técnica para a tão esperada final do torneio continental, contra aquele que é, hoje, o melhor time das Américas. Não entendemos as tramas misteriosas da vida. Nunca conseguimos de fato entender, por mais que tanto queiramos.
Nos desesperamos a cada dia em que percebemos que não estamos no controle da nossa própria história. Nos desesperamos a cada dia em que a vida escancara diante da nossa cara atônita que não temos a menor ideia, de fato, sobre o que é bom e o que é mau. Dias de grandes tragédias escancaram nossa pequenez. Contentamo-nos com nossas pequenas vitórias sem termos a menor ideia se são, de fato, gloriosas.
Desesperamo-nos com nossas pequenas derrotas sem saber as bênçãos que a vida pode esconder no aparentemente trágico. Seguimos, como se fossemos, habitantes comuns daquele antigo povoado do ‘conto’… rindo e chorando diante de cada acontecimento em nossas vidas, como se soubéssemos que são motivos para choro ou para riso. Mas não sabemos. Nunca soubemos.
Mas talvez viva, em Chapecó, não um sábio idoso… mas, uma Criança acalentado por Deus. Uma Criança que nada pode saber… Mas, uma Criança que na sua inocência e pureza… Deus faz saber que uma perna quebrada não necessariamente é trágica e que uma heroica perna esticada não necessariamente é gloriosa. E que talvez, com seus olhos direcionados por Deus, consiga ver ainda além.
Imaginemos aquela Criança se levantando nas primeiras horas da manhã, em silêncio, para tomar café… Sua mãe vem, com os olhos fundos de tristeza, e lhe conta a notícia da madrugada. A Criança entristece também… Mas, em seu coração, mantém a serenidade. Porque Deus lhe toca e faz entender, que pernas esticadas não necessariamente são gloriosas e pernas quebradas não necessariamente são tristes. Porque, só o tempo pode dar a verdadeira dimensão das nossas vitórias e das nossas derrotas. E, acima de tudo, que mesmo a mais aparentemente insuportável dor das grandes perdas e das grandes tragédias talvez seja apenas um pequeno momento na infindável trama da existência.
Apenas um pequenino momento que nossos pequeninos olhos podem ver. Nas imensas profundezas do seu coração, saber, que a história continua. Sempre continuará. E o tempo continuará nos trazendo suas respostas. Só o tempo!